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Segurança pública expõe diferenças entre governadores do Nordeste e deve influenciar disputa em 2026

Segurança pública expõe diferenças entre governadores do Nordeste e deve influenciar disputa em 2026

Por Redação

14/04/2026 às 19:02

Atualizado em 14/04/2026 às 19:17

Imagem de Segurança pública expõe diferenças entre governadores do Nordeste e deve influenciar disputa em 2026

O Nordeste, que teve papel decisivo na eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, volta a ganhar centralidade no debate político nacional às vésperas de 2026 — desta vez sob outro foco: a segurança pública. Em um cenário de desgaste na popularidade do governo federal, o desempenho dos governadores da região no enfrentamento à violência tende a se tornar um dos principais critérios de avaliação do eleitorado.

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que comparam os anos de 2022 e 2025, indicam que houve melhora em indicadores relevantes na maior parte dos estados nordestinos. A leitura mais detalhada, porém, revela um quadro desigual, com ritmos distintos de avanço e, em alguns casos, sinais de alerta.

Na redução da violência letal, principal termômetro da área, a região apresenta resultados contrastantes. Sergipe desponta como o caso mais expressivo, com queda próxima de 47% nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), seguido pelo Piauí, que também registra redução superior a 30%. Em um segundo grupo aparecem estados como Bahia e Rio Grande do Norte, com quedas relevantes — ainda que menos acentuadas — na casa dos 20%. Já Pernambuco apresenta redução mais modesta, enquanto Ceará e Maranhão caminham na contramão da tendência regional, com aumento dos indicadores no período.

UF

2022

2025

Variação (%)

Amazonas (AM)

1.434

759

-47,1%

Sergipe (SE)

593

315

-46,9%

Rio Grande do Sul (RS)

1.961

1.190

-39,3%

Paraná (PR)

2.101

1.343

-36,1%

Tocantins (TO)

435

283

-34,9%

Goiás (GO)

1.249

837

-33,0%

Piauí (PI)

789

544

-31,1%

Mato Grosso do Sul (MS)

509

353

-30,6%

Roraima (RR)

189

139

-26,5%

Pará (PA)

2.460

1.820

-26,0%

Bahia (BA)

5.194

3.900

-24,9%

São Paulo (SP)

3.316

2.508

-24,4%

Rio Grande do Norte (RN)

1.115

853

-23,5%

Mato Grosso (MT)

963

748

-22,3%

Espírito Santo (ES)

1.057

834

-21,1%

Santa Catarina (SC)

636

522

-17,9%

Acre (AC)

218

179

-17,9%

Alagoas (AL)

1.136

946

-16,7%

Paraíba (PB)

1.036

869

-16,1%

Rondônia (RO)

511

445

-12,9%

Distrito Federal (DF)

304

266

-12,5%

Amapá (AP)

231

204

-11,7%

Pernambuco (PE)

3.336

3.023

-9,4%

Minas Gerais (MG)

2.926

2.663

-9,0%

Rio de Janeiro (RJ)

3.552

3.581

+0,8%

Ceará (CE)

2.970

3.022

+1,8%

Maranhão (MA)

1.805

1.940

+7,5%

Tabela 1 - Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) - 2022 vs. 2025

Se a queda dos homicídios mostra um cenário heterogêneo, o avanço no cumprimento de mandados judiciais revela um movimento mais uniforme de fortalecimento da capacidade investigativa. Praticamente todos os estados do Nordeste ampliaram esse indicador de forma significativa. Paraíba e Maranhão lideram com crescimentos superiores a 200%, enquanto Bahia, Rio Grande do Norte e Piauí também registram expansões expressivas, acima de 100%. O dado é interpretado como sinal de maior integração entre polícias e sistema de Justiça, além do uso mais intensivo de inteligência na localização de alvos.

UF

2022

2025

Variação (%)

Paraíba (PB)

1.226

4.811

+292,41%

Maranhão (MA)

1.435

4.858

+238,54%

Bahia (BA)

5.004

12.394

+147,68%

Rio Grande do Norte (RN)

1.760

4.077

+131,65%

Piauí (PI)

2.173

4.852

+123,29%

Amazonas (AM)

2.058

4.427

+115,11%

Alagoas (AL)

1.819

3.689

+102,80%

Goiás (GO)

5.332

10.085

+89,14%

Ceará (CE)

5.440

9.339

+71,67%

Tocantins (TO)

1.407

2.318

+64,75%

Mato Grosso (MT)

5.743

8.919

+55,30%

Rio Grande do Sul (RS)

6.966

10.754

+54,38%

Amapá (AP)

1.041

1.605

+54,18%

Pará (PA)

4.615

7.046

+52,68%

Sergipe (SE)

1.213

1.851

+52,60%

Acre (AC)

1.330

1.969

+48,05%

Santa Catarina (SC)

11.063

16.335

+47,65%

São Paulo (SP)

62.542

83.434

+33,40%

Roraima (RR)

1.029

1.357

+31,88%

Espírito Santo (ES)

5.248

6.746

+28,54%

Pernambuco (PE)

7.852

9.339

+18,94%

Distrito Federal (DF)

7.224

8.449

+16,96%

Rondônia (RO)

3.608

4.175

+15,72%

Rio de Janeiro (RJ)

11.001

11.990

+8,99%

Paraná (PR)

36.296

38.787

+6,86%

Mato Grosso do Sul (MS)

6.078

3.991

-34,34%

Minas Gerais (MG)

36.031

16.971

-52,90%

Tabela 2 - Prisões por Mandado Judicial - 2022 vs. 2025

 

A apreensão de armas de fogo — variável diretamente associada à redução da letalidade — segue lógica semelhante. Estados como Maranhão, Bahia e Rio Grande do Norte apresentaram aumentos consistentes, indicando intensificação das ações voltadas ao enfrentamento do armamento ilegal. Em outros casos, como Sergipe, a redução das apreensões ocorre simultaneamente à queda acentuada dos homicídios, sugerindo que diferentes estratégias podem produzir resultados positivos dependendo do contexto local.

UF

2022

2025

Variação (%)

Maranhão (MA)

2.292

3.952

+72,43%

Tocantins (TO)

570

862

+51,23%

Bahia (BA)

5.097

7.633

+49,75%

Rio Grande do Norte (RN)

1.485

2.120

+42,76%

São Paulo (SP)

10.414

14.023

+34,66%

Paraíba (PB)

2.785

3.695

+32,68%

Rondônia (RO)

1.935

2.284

+18,04%

Ceará (CE)

6.279

7.221

+15,00%

Piauí (PI)

1.806

2.051

+13,57%

Amapá (AP)

405

456

+12,59%

Alagoas (AL)

1.526

1.700

+11,40%

Roraima (RR)

283

297

+4,95%

Pernambuco (PE)

6.163

6.380

+3,52%

Amazonas (AM)

1.582

1.605

+1,45%

Santa Catarina (SC)

2.248

2.214

-1,51%

Mato Grosso (MT)

2.196

2.116

-3,64%

Mato Grosso do Sul (MS)

1.401

1.281

-8,57%

Sergipe (SE)

840

764

-9,05%

Espírito Santo (ES)

4.122

3.734

-9,41%

Rio de Janeiro (RJ)

6.795

6120

-9,93%

Minas Gerais (MG)

16.001

14.403

-9,99%

Rio Grande do Sul (RS)

9.856

8.866

-10,04%

Paraná (PR)

6.214

5.517

-11,22%

Acre (AC)

579

514

-11,23%

Distrito Federal (DF)

2.217

1.744

-21,34%

Goiás (GO)

4.950

3.788

-23,47%

Pará (PA)

3.619

2.313

-36,09%

Tabela 3 - Apreensões de Armas de Fogo - 2022 vs. 2025

No conjunto dos indicadores, alguns estados conseguem combinar redução da violência com avanço operacional. A Bahia, por exemplo, aparece entre os principais desempenhos regionais ao registrar queda de cerca de 25% nos homicídios, além de figurar entre os maiores crescimentos do país tanto em prisões por mandado quanto em apreensão de armas. Ainda assim, o estado não é um caso isolado: Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Maranhão também apresentam indicadores positivos em ao menos duas das três dimensões analisadas.

O panorama reforça que não há um modelo único de sucesso na segurança pública. Estados que lideram um indicador nem sempre repetem o desempenho nos demais, o que sugere a influência de fatores como dinâmica das organizações criminosas, capacidade institucional e escolhas estratégicas de cada governo.

Com a proximidade das eleições de 2026, a tendência é que esses números ganhem ainda mais relevância no debate público. Em uma região onde a segurança impacta diretamente o cotidiano da população — e onde o peso eleitoral é decisivo — governadores devem ser cada vez mais cobrados por resultados concretos. Mais do que promessas, os dados indicam que a disputa política tende a se ancorar, cada vez mais, na capacidade de demonstrar redução da violência e aumento da efetividade das ações estatais.

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